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A Maratona de um Báal Teshuvá

A Maratona de um Báal Teshuvá

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A Teshuvá (retorno) pode ser expressa no desejo de abrir o coração e acender a chama completa e irrevogavelmente na vida do judeu moderno.

A palavra Teshuvá é erroneamente traduzida como "arrependimento". No entanto, seu sentido verdadeiro e literal é voltar à fonte e origem, ao seu próprio interior, revelando-o de maneira tal que este se torna o dono de sua vida. Assim, o retorno se aplica a todos, até aos justos. Isto significa que o tsadic (justo) está também constantemente procurando voltar para seu interior, a fim de revelá-lo. A Teshuvá é igualmente pertinente ao pecador, porque não importa o quão baixo tenha caído, sempre poderá recorrer à teshuvá; não precisará criar nada de novo, mas, simplesmente, voltar para dentro de si mesmo - muito mais fácil de ser conseguido.

É evidente, portanto, que esta prática contém muito mais do que um simples sentimento de arrependimento (embora sincero) ou "uma resolução que se toma por ocasião do Novo Ano " (embora igualmente sincera). Teshuvá, no sentido judaico clássico, significa introspecção contínua e incessante esforço para retornar às orientações Divinas da maneira como são reveladas na Torá. É uma reorientação da vontade e desejo próprios no sentido de se adaptar à Lei Divina. Denota uma total revolução, embora gradativa, na vida pessoal; uma aspiração em unir-se a D'us.

Para aquele criado num lar judaico tradicional ou orientado desde a infância a observar a Torá e as mitsvot, talvez o caminho a percorrer seja curto e familiar. Mas para aqueles cuja formação religiosa é superficial ou ainda comparam o judaísmo ao "monoteísmo ético" teórico ou a uma civilização desenvolvida ao acaso, o caminho de volta não é somente desconhecido, mas, na verdade, cheio de obstáculos. Estes podem incluir o relacionamento com a própria família, que encara as leis de Cashrut (alimentação adequada) como medievais; podem vir a se tornar meramente um hábito, como o prazer de uma tarde de futebol aos sábados; ou podem se constituir numa pesquisa filosófica, que divide a religião em "ritual" e "ética" (de acordo com a tradição grega).

Há, portanto, um número significativo de racionalizações e aspirações, desejos e desculpas que podem ser interpostos no caminho do Báal Teshuvá (aquele que retorna). É talvez por este motivo que os estudiosos do Talmud dizem: "A posição alcançada pelo Báal Teshuvá, nem mesmo o justo pode atingir."

Por outro lado, o Báal Teshuvá precisa munir-se de um esforço maior para subjugar suas paixões e aspirações familiares tem mais obstáculos para transpor a fim de alcançar este nível. Não só deve apenas alcançá-lo como também permanecer neste nível, apesar das críticas e recordações passadas.

Não se pode evitar a pergunta: "Vale a pena o esforço? Afinal de contas, as 'cargas' que nos impomos como Báal Teshuvá são tão reais, as 'restrições' tão inconvenientes, as 'recompensas' tão imperceptíveis e abstratas." Em última análise, a única pessoa que pode responder a esta pergunta é aquela que se dispôs a agir neste sentido.

Os outros podem descrever o calor de um verdadeiro Shabat, a alegria de Simchá Torá, o sig-nificado de uma oração sincera. Alguns ainda apresentam-se como testemunhas de uma profunda transformação dentro da família quando a esposa começa a observar a mitsvá de Pureza Familiar e Cashrut. Mas a valorização deve ser pessoal - o reconhecimento da verdade e significado de uma vida judaica que fica aparente apenas quando a pessoa se une a D'us, ao povo e à Torá.

Neste estágio, não mais se pensa em termos de obrigações e recompensas. Em muitos certificados e diplomas que acompanham o recebimento de um grau merecido, encontra-se a seguinte frase, impressa de maneira discreta: "... com todos os privilégios e obrigações a ele pertinentes." Mas não são enumerados os privilégios e obrigações, porém, obviamente, existem.

Há uma parábola sobre um homem galgando uma colina e carregando um pesado volume. Se o fardo contém pedras, é considerado como carga verdadeira e a subida, uma difícil tarefa. Não existe, com certeza, o desejo de pegar mais alguma pedra pelo contrário, há uma grande tendência em esvaziar o saco quando não houver ninguém à espreita. Se, por outro lado, o pacote contiver brilhantes e pedras preciosas, não será uma carga, mas um tesouro. Neste caso, a subida não se constituirá numa obrigação, mas sim numa tarefa significativa. O homem não somente guardará o tesouro com zelo, mas, se encontrar outros diamantes no caminho, sem dúvida os juntará ao seu fardo.

Vale então a pena o esforço em direção ao alto? Sim, sempre vale quando nos é confiado um tesouro ou uma missão. Tem valor para aqueles que buscam a realidade e o significado das coisas. Convém quando a teshuvá significa a volta a D'us e a Torá. Deveria ser dito, honestamente, que o caminho para o retorno não é garantido para se conseguir transformações milagrosas, da noite para o dia. Ainda que se esteja carregando brilhantes, o caminho em geral é lon-go, muitas vezes árduo e, às vezes, solitário. Mesmo campeões em potencial devem exercitar sua habilidade de levantar peso de maneira gradual, começando com pouco até atingir recordes olímpicos.

Este é o motivo pelo qual nossos sábios disseram que uma mitsvá (preceito Divino) leva a outra. É por isso que Maimônides nos preveniu para ensinar a verdade mística aos poucos e praticá-la por meio de estágios acessíveis.

A essência, porém, reside na ação. Ninguém ganha qualquer jogo somente aprendendo regras - não importa quão bem o desempenhe. Nenhum cirurgião remove um tumor estudando anatomia tem de partir para uma incisão. E nenhum judeu se torna Báal Teshuvá lendo ensaios tem de começar cumprindo ao menos uma mitsvá.

Segundo Rabi Tarfon: "O dia é curto, a tarefa enorme, os operários lentos, a prova difícil e o Mestre rigoroso. Não é teu dever completar a tarefa, mas não estás livre para dela desistir de todo."

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